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Notas:
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A União resiste circulando como o único jornal oficial no Brasil. Vinculado ao
Governo da Paraíba, o hoje centenário veículo de comunicação foi fundado no dia
2 de fevereiro de 1893 pelo então presidente da Província, Álvaro Machado. Quarenta
e sete anos depois, no dia 13 de março de 1940, surgiu o Diário Oficial. Foram 15
anos de convivência. É por isso que os fatos relacionados à Imprensa Oficial na
Paraíba estão obrigatoriamente integrados à memória do jornal, com um papel às vezes
de testemunha, às vezes personagem da história política e sócio-cultural do Estado.
O Diário Oficial passou a circular separadamente a partir de 1o de julho de 1955.
O matutino prosseguiu sua trajetória e é o quarto mais antigo do País e o primeiro
entre os que são impressos no Estado.
O jornal surgiu como órgão do Partido Republicano do Estado da Paraíba, agremiação
fundada pelo próprio Álvaro Machado. Inicialmente, os escritórios e tipografia de
A União funcionaram na Rua Visconde de Pelotas, 49, esquina com a Rua Miguel Couto,
no Centro da Cidade Alta. Mais tarde, o edifício foi demolido para alargar a via
que dá acesso ao Parque Sólon de Lucena (Lagoa). Foi, aliás, apenas uma das muitas
mudanças ocorridas. Antes de estar no atual endereço – no Distrito Industrial da
Capital – funcionou no bairro de Jaguaribe.
No início, A União trazia farto noticiário e as notas do então presidente da
Província, Álvaro Machado. Com o passar dos anos, o jornal funcionou como intérprete
das aspirações paraibanas quando a eclosão do Movimento Revolucionário de 1930 já
se avizinhava. Naquela época, a Paraíba adquiriu renome nacional, fazendo jus às
tradições de luta de seu povo. Naquela ocasião, o jornal converteu-se na trincheira
da guerra que se travou entre o presidente João Pessoa – que detinha o apoio popular
– e os poderes centrais.
Depois, A União desempenhou, na Paraíba, o mesmo papel das escolas de letras
européias ou dos inovadores laboratórios norte-americanos, onde a consciência de
escrever era adquirida no exercício das técnicas, na descoberta de pequenos e grandes
segredos, antes mesmo do domínio da gramática e da estilística.
Há pouco mais de 40 anos, o jornal oficial já gozava do privilégio de ser considerado
como a escola de tudo que o Estado produzia em literatura, porque exercia, na prática,
a função que a própria Universidade Federal da Paraíba somente viria a desempenhar
anos depois. Aquela situação levou, na época, o então ministro José Américo de Almeida
– que era patrono da própria UFPB, além de político e intelectual reconhecido nacionalmente
– a classificar A União como a primeira universidade paraibana.
Passados esses 110 anos de existência, o jornal oficial não deixou de estar sintonizado
com os avanços, inclusive na área tecnológica, o que o faz ser encarado como um
órgão tradicional e – mais que isso – patrimônio cultural da sociedade. Prova disso
é que, no momento, o matutino vem passando por uma série de transformações cujo
objetivo é o de mantê-lo desempenhando o importante papel de divulgação de fatos
e idéias que sempre o caracterizou ao longo de sua história.
Além disso, o jornal não é apenas um grande veículo de comunicação que – ao longo
dos seus mais de 100 anos – mantém acesa a chama de sua vocação educativa, informativa
e cultural. Com seu parque gráfico, participou e continua participando ativamente
do movimento editorial do Estado, imprimindo livros de autores, sejam eles novos
ou já consagrados.
Nessa fase de transformações que A União vem passando desde janeiro de 2003,
quando houve mudança na Superintendência, o jornal já vem se apresentando com novidades,
sobretudo a informatização de setores, como o de Artes, pela aquisição de modernos
equipamentos - que devem culminar – literalmente – com uma cara diferente: um novo
projeto gráfico, com a diminuição de seu formato associado ao aumento do número
de páginas, o que oferece mais informações ao leitor.
As inovações também se estenderam da Redação – com mudança de local – até a gráfica
do jornal. Neste último caso, aproveitando as reformas naquelas dependências, com
a inclusão de mais divisórias, por exemplo, um mural foi pintado num suporte de
gesso por cinco funcionários do próprio Setor de Artes de A União, como uma forma
da atual Superintendência valorizar o profissional, que é o artista gráfico. E,
sem perder o vínculo com o passado, três antigas linotipos foram recuperadas, pintadas
e colocadas no pátio interno da empresa, servindo como museu ao ar livre para quem
chegar de visita.
A União, como a história pode registrar, ultrapassou a condição de simples jornal
para se tornar o único elo da corrente de lutas e desafios travados pelo povo paraibano.
Uma marca indelével ligando à vida estadual a partir de Álvaro Machado, passando
por Epitácio Pessoa e José Lins do Rego, até chegar aos atuais dias, em que as dificuldades
econômicas não conseguem arrefecer nem a esperança nem a capacidade de luta de seu
povo e de seus governantes.
Em pleno terceiro milênio, A União segue exercendo sua missão histórica. Novamente
na proa do movimento cultural paraibano, o jornal oficial nada fica a dever aos
concorrentes do setor privado, em termos de informação ao leitor, ocupando seu espaço
no mercado tendo a imparcialidade, a objetividade e – de forma destacada – a prestação
de serviços como marcas para o seu público leitor. A nova onda de modernização de
sua gráfica e redação, deflagrada a partir de meados da década passada e que veio
num processo crescente, se insere no contexto das transformações da imprensa da
Paraíba, geradas pela inovação tecnológica imposta pela informática, que é a responsável
pela mudança da feição do jornal e pelo impulso às atividades editoriais.
Fonte:
Associação Brasileira de
Imprensas Oficiais
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