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Notas:
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Quando João Pereira Caldas, então governador do Grão-Pará, elaborava o primeiro
programa econômico para a região; Manoel da Gama Lobo D’Almada transportava os primeiros
bovinos; Pedro Teixeira dava nome ao Rio Branco, inspirado na cor de sua água; os
padres carmelitas estabeleciam a catequese e os portugueses construíam o Forte de
São Joaquim, jamais poderiam supor que a “Paraviana” ou “Quelsuene” dos Karib, viria
a constituir-se, por força de sua destinação geopolítica, em uma das áreas mais
importantes do vale amazônico.
Nesse cenário, o governador Ene Garcez dos Reis, um mês após chegar a Boa Vista,
fundou em 24 de julho de 1944 o Órgão Oficial, que era mimeografado em uma sala
da Prelazia, na Rua Bento Brasil – onde funcionava a Administração Territorial.
Cinco anos depois, já no governo do general Clóvis Nova da Costa (1949), foi comprada
uma impressora manual tipográfica, “que imprimia por meio de tipos de chumbo” –
como nos conta João Menezes, um dos pioneiros da imprensa local.
Ainda em 1949 a Imprensa Oficial foi transferida para ao atual prédio na Rua
da Imprensa (hoje Rua Coronel Pinto, no 234) – Centro de Boa Vista. E, no final
daquele ano, o Órgão Oficial, que rodava por meio de mimeógrafo, foi extinto. Em
seu lugar, nos primeiros dias de janeiro de 1950, sob novo formato e impresso tipográfico,
surgia o Boletim Oficial.
A evolução das artes gráficas foi marcada com a chegada da linotipo, em 1953,
adquirida pelo governo de Aquilino da Mota Duarte. A partir daí começava uma nova
fase na história da comunicação escrita em Boa Vista.
Vinte anos mais tarde, em 1973, entrava em funcionamento o sistema offset. A
Imprensa Oficial imprimia, além do Boletim Oficial, que circulava uma a duas vezes
por semana, o jornal Boa Vista, de propriedade do Governo Territorial.
Com o desenvolvimento socio político da cidade e a necessidade de divulgar os
inúmeros atos administrativos, que requeriam assiduidade diária, o governador Vicente
de Magalhães Moraes (1983), extinguiu o Boletim Oficial e criou, por meio do Decreto
no 108, de 29 de dezembro de 1983, o Diário Oficial do Governo do Território Federal
de Roraima.
Em 1988, na transformação do Território em Estado da Federação e com a posse
do primeiro governador eleito, Ottomar de Souza Pinto, em 1991, a publicação passou
a denominar-se Diário Oficial do Estado de Roraima, sendo editado pelo Departamento
de Imprensa Oficial, subordinado à Secretaria de Estado da Administração.
Sua missão institucional: dar publicidade aos atos do governo estadual e executar
trabalhos gráficos para a administração pública.
A Fundação
A fundação da Imprensa Oficial em Boa Vista, capital do então Território Federal
do Rio Branco, aconteceu na atmosfera política e cultural que reinava no País, quando
o Brasil estava envolvido na 2ª Guerra Mundial. Naquela época, para efeito de segurança
nacional, o presidente Getúlio Vargas, criava os primeiros Territórios nas áreas
de fronteiras, designando para assumirem os novos cargos de governadores, pessoas
de sua confiança, já que enfrentava oposição fortíssima ao seu governo, principalmente
do jornalista Carlos Lacerda.
O começo
Para oficializar as primeiras medidas administrativas, o governador necessitava
de um documento que refletisse a importância de seus atos e servisse de registro
histórico. Ene Garcez queria algo oficial, se possível escrito por alguém do meio
jornalístico. Mas, diante das dificuldades encontradas, principalmente diante da
severa contenção econômica e da falta de pessoal qualificado em sua comitiva, o
governador viu-se obrigado a contratar, entre a população, os primeiros funcionários
públicos. Foi assim que um mês depois de haver chegado a Boa Vista, convidou Waldir
Abdala, na época com pouco mais de 17 anos de idade, “mas que sabia datilografar
muito bem”.
Ene Garcez conseguiu com a Prelazia um mimeográfo e viabilizou a publicação de
um documento, que chamou de Órgão Oficial, e o fez circular a primeira vez no dia
24 de julho de 1944. O documento, depois de datilografado, era então rodado no mimeógrafo
e, depois de pronto, enviado à prefeitura e às poucas secretarias de seu governo.
Em seguida o público tomava ciência dos “Atos e Portarias do Governo do Território”.
Para dirigir a “Imprensa Oficial” foi convidado Geraldo Guimarães Moreira, que
não era jornalista, mas “que demonstrava um bom conhecimento da língua portuguesa
e contava com certa experiência na arte de impressão”. Auxiliava-o Amaral Peixoto,
que lhe foi de grande ajuda para cumprir a tarefa de divulgar os atos de governo.
Começava assim, de forma rudimentar, a primeira publicação governamental do Território
de Roraima, que passou a ser, também, um meio de divulgação de publicações atinentes
a variados assuntos a respeito da saúde e instrução pública, crédito rural e fomento
agrícola, admissão e demissão de funcionários, e demais notícias da Secretaria-Geral,
além de levar ao conhecimento da população, os atos e providências do Governo Territorial.
O mimeógrafo
Da mesma forma que o Boletim Oficial a circulação do Órgão Oficial não era diária.
Apenas era mimeografado quando havia certa quantidade de matérias a ser impressa
e circulava duas ou três vezes por semana.
As dificuldades estruturais eram inúmeras. “Fazia-se o melhor que podia. O cabeçalho
do Órgão Oficial era desenhado a mão” – conta João Menezes, um dos pioneiros da
Imprensa.
A tipografia
Mas o sonho da instalação de uma tipografia só se tornou realidade no final de
1949, início de 1950, com a chegada de um prelo e a aquisição de uma máquina impressora
manual tipográfica, pelo governo do general Clóvis Nova da Costa. A partir daí,
com novo formato, surgia o Boletim Oficial, no lugar do Órgão Oficial que fora extinto.
Era a chegada da Tipografia em Boa Vista. O velho mimeógrafo foi aposentado e, por
conseguinte, extinto o Órgão Oficial.
Em 7 de janeiro de 1950, o Território tinha outro governador: Miguel Ximenes
de Melo. Nessa gestão a Imprensa Oficial saiu da Prelazia e foi transferida para
o atual prédio na Rua da Imprensa (hoje Rua Coronel Pinto).
Extinto o Órgão Oficial em dezembro de 1949, nascia nos primeiros dias de janeiro
de 1950, o Boletim Oficial.
Prosseguindo com as atividades iniciadas no exercício anterior, mas com melhor
equipamento, a Imprensa Oficial deu novo direcionamento para as suas atividades:
as metas enfocadas no período de janeiro a dezembro de 1950 foram dirigidas no sentido
de melhorar a qualidade dos serviços prestados, transformando o processo produtivo
da gráfica, agora com o uso da tipografia, em algo moderno (para a época). Na realidade,
pode-se dizer que a Imprensa Oficial, de fato e de direito, passou a existir a partir
da criação do Boletim Oficial em 1950.
Instalado em uma sala do prédio da Imprensa Oficial, onde está até hoje, o prelo
tipográfico passou a trabalhar, não só para imprimir o Boletim Oficial, como também
alguns documentos de encomenda particular: notas fiscais, recibos, promissórias,
etc., além de rodar o jornal do governo, O Boa Vista, que dava sustentação política
ao novo mandatário Miguel Ximenes de Melo.
A linotipo
Em 1953, nova revolução nas artes gráficas em Boa Vista com a chegada da linotipia
(sistema de matrizes que, após agrupadas, servem para fundir uma linha de chumbo,
contendo os caracteres digitados no teclado).
Conta Murilo Bezerra de Menezes (atual diretor da Imprensa Oficial) como aconteceu
o episódio da chegada da linotipo em Boa Vista.
“ Em 1953 foi adquirida dos Estados Unidos a linotipo. Aqui chegou encaixotada,
provocando enorme curiosidade. Aberta a caixa, constatou-se que ninguém sabia como
montar aquela máquina. Por sorte, José Maria Barbosa, secretário geral do governador
Aquilino da Mota Duarte, tinha um amigo com experiência em montagem de linotipo.
Foi assim, que Temístocles Ramos Sobrinho veio parar em Boa Vista, contratado para
montar aquela máquina. Montou e gostou tanto da cidade que não mais voltou à sua
terra.”
Bezerra de Menezes compara: “A mudança do tipo ao linotipo teve o mesmo impacto
que o salto da datilografia para a digitação computadorizada.”
A introdução da linotipo na Imprensa Oficial significou a troca da tipografia
manual pela mecânica, de enorme rendimento e melhor qualidade. “No tipo – diz Bezerra
de Menezes – ‘cata-se’ letra por letra para formar uma palavra, depois uma frase;
na linotipo, o texto é datilografado e as letras de metal vão caindo em um depósito.
Essas letras recebem uma pressão do chumbo líquido – em alta temperatura – que,
ao solidificar-se, forma uma linha de chumbo como matriz da frase. Esta por sua
vez, desce em um outro compartimento onde é resfriada por um ventilador próprio.
Depois de utilizada na impressão, volta à caldeira para ser derretida e reutilizada
em outra gravação e impressão.”
Com o uso da linotipo agilizaram-se os trabalhos gráficos do Boletim Oficial
e do jornal O Bao Vista, que passou a ter uma tiragem maior (200 a 250 por edição)
e melhor apresentação gráfica.
A impressão offset
Em 1972, iniciaram-se as avaliações técnicas para a implantação de um novo sistema
gráfico: a impressão offset, que, efetivamente, entrou em funcionamento em 1973,
no primeiro governo de Hélio Campos.
A finalidade maior da impressão offset, seria produzir com maior velocidade e
menor custo o jornal do governo O Boa Vista, mas o Boletim Oficial também passou
a ser impresso em offset.
A informatização e a Internet
Hoje, Murilo Bezerra de Menezes já pensa nas inovações tecnológicas, que haverão
de levar o Diário Oficial de Roraima à Internet. “Por enquanto ainda um sonho –
diz ele –, mas muito mais próximo da realidade do que nas décadas passadas”.
Fonte:
Associação Brasileira de
Imprensas Oficiais
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